Exposição “Câmara Cascudo no Museu da Língua Portuguesa” está confirmada para segundo semestre de 2015

Mostra inédita e interativa sobre o universo cascudiano ocupará um dos mais importantes centros culturais da América Latina, durante quatro meses, com estimativa de 100 mil visitantes

O projeto é realizado em parceria entre a Casa da Ribeira (RN) e Instituto Ludovicus – Casa de Câmara Cascudo (RN), através do apoio integral da família do folclorista, intelectual e etnógrafo potiguar e especialistas em sua obra

Evento deu a largada com recursos parcialmente captados através da Lei Federal de Incentivo a Cultura – Lei Rouanet, e entre os primeiros patrocinadores estão a empresa paranaense O Boticário e a cearense Marquise, além de parceiros importantes como a chef Ana Luíza Trajano, Secretaria de Cultura de São Paulo/ Museu da Língua Portuguesa, Academia Paulista de Letras, Academia NorteRiograndense de Letras, Global Editora e Expomus

Ele traduziu a memória coletiva do povo brasileiro. Da história da alimentação aos nossos gestos e costumes, através de obras fundamentais como o “Dicionário do Folclore Brasileiro” e “História da Alimentação no Brasil”, o etnógrafo, pesquisador, folclorista e escritor norte-rio-grandense Luís da Câmara Cascudo (30/12/1898 — 30/07/1986) deixou um rico legado que permanece ainda pouco conhecido, explorado e vivenciado pelas novas gerações. Esse universo cascudiano tão amplo e inesgotável, capaz de encantar intelectuais, estudiosos e leitores mundo a fora, ganhará uma experiência única este ano, para todo o público. Está confirmada, a partir do segundo semestre, a realização da mostra inédita “Câmara Cascudo no Museu da Língua Portuguesa”, em São Paulo.

Em mais de 600 m² de área, o setor de exposições deste que é um dos maiores centros culturais da América Latina será o endereço para quem quiser vivenciar esta experiência de navegar pelo mundo de Câmara Cascudo, com todas as suas viagens sensoriais – cores, texturas, movimentos e sons da cultura popular brasileira, compreendendo a importância e a contemporaneidade de seus conhecimentos. A mostra sobre Câmara Cascudo seguirá o mesmo conceito de outras exposições já realizadas no local, como as de Jorge Amado, Clarice Lispector e Fernando Pessoa.

Capitaneado pela Casa da Ribeira (RN) e Instituto Ludovicus – Casa de Câmara Cascudo, ambas as entidades do Rio Grande do Norte, o projeto tem curadoria colaborativa da família do intelectual potiguar, dos produtores da Casa da Ribeira, da Expomus, empresa especializada em realizar projetos museológicos no porte de “Guerra e Paz de Portinari”, e da chef Luiza Trajano, além de consultoria de especialistas na obra do pesquisador.

Devido a amplitude de sua obra, a mostra ganhou um plus a mais: ficará em cartaz durante quatro meses, até final de dezembro de 2015. “Ficamos surpresos com o espaço que o museu dará a este acontecimento. Será uma das mais extensas já realizadas no local”, destacou o produtor Gustavo Wanderley, responsável pelo desenvolvimento de produção e coordenação de curadoria. A expectativa de visitação é em torno de 100 mil visitantes e 40 mil educandos.

Patrocinadores de peso e novos parceiros

Aprovado pela Lei Federal de Incentivo a Cultura – Lei Rouanet com orçamento total de R$ 1,5 milhão, “Câmara Cascudo no Museu da Língua Portuguesa” já deu a largada com a captação dos primeiros patrocinadores nacionais, a empresa paranaense O Boticário e o cearense Grupo Marquise. Além dos patrocínios, a exposição já conta com outros parceiros envolvidos, como a Secretaria de Cultura de São Paulo, Academia Paulista de Letras e Global Editora (responsável pela publicação das obras de Cascudo).

Os produtores esperam fechar as últimas cotas de patrocínio até os meses de junho e setembro, respeitando os prazos previstos na Lei Rouanet. Por enquanto, nenhuma empresa potiguar fechou patrocínio, mas os produtores estão otimistas com a receptividade de algumas já visitadas, como o grupo Riachuelo. A equipe já participou de reuniões com as secretarias de Turismo e de Cultura, com a senadora Fátima Bezerra (PT) e com a vereadora Júlia Arruda (PSB). Com esta parlamentar, foi discutida a possibilidade de integrar a mostra à pasta do Turismo. “Uma exposição que prevê 100 mil visitantes é uma forma de vender Natal como destino de turismo cultural de grande relevância”, diz o produtor além da visibilidade que as mídias darão a exposição, a exemplo das Organizações Globo que é fundadora do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo.

Trancender os livros: uma mostra interativa e pulsante

Trata-se de uma mostra diferenciada, que transcende a mera exposição estática de acervo de livros e objetos pessoais. Esse é o perfil que deve nortear a exposição “Câmara Cascudo no Museu da Língua Portuguesa”. Com uso de tecnologia e muita interatividade, a mostra trará experiências que valorizem essa diversidade registrada por Câmara Cascudo, os saberes, os sentires e suas práticas.

“A exposição contempla pontos de toque que extrapolam o universo literário, como a cultura popular, a gastronomia e o idioma. Cascudo revelou ‘brasis’ invisíveis aos brasileiros, e é imperativo mostrar isso às novas gerações”, reforçou Gustavo Wanderley. “Queremos que as pessoas percebam a contemporaneidade de sua obra”.

O recorte curatorial foi definido a partir de cinco módulos: Em “O Tempo e Eu” será abordado o autor e o homem Cascudo, e abrange a sua biografia, compreendendo o período de 1898 a 1986, com ênfase para sua produção intelectual, ficcional ou não, sua extensa rede de amizades (incluindo as correspondências com grandes intelectuais como Mário de Andrade) e as viagens de estudos que empreendeu pela África e Europa.

O segundo módulo é “Dança, Brasil”, que compreende os autos e as festas populares do Brasil. O terceiro tema é “Todo trabalho do homem é para sua boca”, que explora a gastronomia e a alimentação a partir do magistral estudo História da Alimentação no Brasil” obra que busca de nossas origens alimentares.

Depois segue com o módulo “A Literatura Oral e a Voz do Gesto”, que trata da literatura oral, o conto, a lenda, as adivinhações e provérbios, cantos, orações e frases-feitas que o povo se apropriou. O gesto surge como precursor da linguagem em todos os recantos do mundo. Por fim “A Religião no Povo”, que abordará o sincretismo brasileiro a partir do sentimento da religiosidade popular manifestado através de bênçãos, promessas, santos tradicionais, orações, pragas, profecias, superstições, amuletos, entre outros objetos de estudo do folclorista.

Entusiasta e pesquisadora da gastronomia genuína brasileira, a chef Ana Luíza Trajano foi uma das primeiras parceiras a se integrar ao projeto Câmara Cascudo no MLP”. Proprietária do restaurante Brasil a Gosto, ela conta que o livro “História da Alimentação no Brasil” sempre foi base de sua pesquisa em cozinha brasileira. “Foi a partir deste livro de Câmara Cascudo e minhas viagens pelo Brasil que consegui informações para resgatar nossa cultura culinária. Exaltar sua obra em uma exposição no Museu da língua portuguesa, é a melhor maneira de popularizar suas histórias e disseminar a nossa gastronomia como patrimônio cultural brasileiro”, declarou a chef.

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