Número de diáconos cresce mais do que o de padres no Brasil

diacono
O último censo coordenado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e realizado pela empresa Promocat Marketing Integrado, mostrou que entre 2004 e 2014 o número de diáconos cresceu 116% — um aumento três vezes superior ao de padres no mesmo período. Nunca se havia visto uma diferença tão grande. O caminho para uma participação mais efetiva dos diáconos foi aberto com o Concílio Vaticano II (1962-1965), a assembleia religiosa que se configurou como um marco na modernização da Igreja.

A proposta central do Concílio, a de abrir as portas da Igreja para dialogar com o mundo, era totalmente coerente com a valorização de uma figura que surgiu no cristianismo com o papel de cuidar dos fieis por meio de atitudes práticas. As regras para a ordenação do diáconato entraram então para o Código Canônico, promulgado pelo papa João Paulo II nos anos 80.

Hoje, os diáconos atuam tanto nos serviços litúrgicos, como pastorais. Eles podem exercer quase todas as funções de um padre. Batizam, celebram casamentos. Pertencem ao clero. Respondem ao bispo. Usam batina. Mas têm um trabalho fora da igreja e podem casar. E eis aqui uma das principais explicações para o aumento de vocações diaconais.

A formação acadêmica dos diáconos é rigorosa, mas mais simples do que a dos padres –e, consequentemente, menos onerosa para a Igreja. O diácono deve ser formado em teologia. O padre, também em filosofia. “Os seminaristas normalmente vivem como alunos internos. Já os diáconos continuam morando com a família, exercendo sua profissão”, diz o padre Antônio José de Almeida, professor de teologia da PUC do Paraná. Há diáconos das mais diversas profissões — advogados, juízes, professores, empresários… O trabalho na Igreja é voluntário.

Há sacramentos que os diáconos não podem assumir, como a celebração da missa e a unção dos enfermos. Trata-se de uma prerrogativa dos padres, por uma questão de tradição bíblica. Há ainda outra grande diferença entre o diácono e o padre — o trabalho pastoral. Os diáconos, até por uma questão de disponibilidade, dedicam os fins de semana às visitas nas comunidades. Levam a palavra de Deus, confortam e acolhem o fiel. Distribuem suprimentos. Eles representam o que o papa Francisco defende em seu pontificado – o de que a Igreja vá para as ruas e bata na porta do fiel.

Marcos Dantas

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