Demissão de Rogério Ceni é o capítulo final de uma tragédia anunciada

Gazeta Press

Demorou, mas Rogério Ceni caiu. Em comunicado divulgado no site na tarde desta segunda-feira, o clube anuncia a saída do treinador e ex-goleiro. Era óbvio que isso aconteceria. O time que começou o ano ganhando jogos molezas do Paulista, apesar dos muitos gols tomados, logo virou poeira e desapareceu entre apresentações medíocres e eliminações doloridas, mas justas.

Ninguém torce contra o próprio clube, óbvio, mesmo que muitos comentaristas oportunistas aqui do blog pensem assim. É difícil, claro, sentar e escrever um texto para criticar o clube que amamos e já nos deu muitas alegrias. Parte da relação, porém, deve ser apontar os erros e tentar corrigi-los. Passar a mão na cabeça apenas porque ama é um dos maiores defeitos dos torcedores não apenas do São Paulo, mas de todos os clubes.

O grande problema de Rogério Ceni foi não se preparar direito, e isso era muito claro. A questão é que a diretoria do Tricolor jogou para a torcida. Fazer um curso aqui ou ali na Europa não te garante o direito de já chegar em um clube do tamanho do São Paulo e assumir o cargo de treinador. Não bastam fotos no metrô londrino ou anotações de treinos do Sampaoli. É preciso mais estudo do que o ex-goleiro fez em poucos meses.

A humildade de Rogério também falhou, mesmo que isso não seja uma surpresa para a torcida são-paulina. Entrevistas vergonhosas após eliminações mostravam como o técnico estava perdido nessa invenção em que se meteu. Não foram poucos os equívocos em escalações ou esquemas táticos. A cada jogo, no entanto, parecia que o técnico estava cada vez mais perdido e não conseguia mais colocar em campo sua tão falada filosofia ofensiva.

O São Paulo começou ofensivo, ficou defensivo. Era uma máquina de gols, virou um deserto de ideias no ataque. Os gols sofridos, porém, estavam lá desde o início. E treinador nenhum aguentaria essa situação, infelizmente. Vocês podem culpar a diretoria, mas as eliminações no Paulista, na Copa do Brasil e na Sul-Americana aconteceram antes disso tudo. Ao sair das três competições, o Tricolor só tinha perdido o jovem David Neres, que saiu ainda na pré-temporada. Logo, colocar todo esse peso em nossa (fraca) diretoria é um erro sem tamanho e uma bela passada de pano para o ex-goleiro.

Aliás, esse foi um dos grandes erros da torcida do São Paulo nos últimos meses. Devemos, sim, agradecer Rogério Ceni por tudo que fez em seus anos como jogador, mas ele claramente não estava pronto para ser técnico. E criticar seu trabalho como treinador não apaga seu passado em momento algum. Não podemos poupar o Rogério Ceni de 2017 por estarmos pensando no goleiro de 2005. Uma coisa não pode interferir na outra. Ídolos não estão imunes a críticas e nem podem se esconder no passado. É um erro que repetem com Rogério e Lugano, infelizmente.

O óbvio aconteceu: Rogério não estava pronto e se despede do São Paulo no meio do ano. Ninguém faz apostas arriscadas sem saber que pode perder tudo. A tragédia estava anunciada no Morumbi, era questão de tempo para o capítulo final acontecer. No dia 3 de julho de 2017, aconteceu. Agora é hora de juntar os cacos e contratar alguém mais bem preparado para a função. Sem invenções ou medalhões desnecessários. O São Paulo precisa se reerguer e voltar a ser um time temido, algo que não consegue há alguns anos.

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