Ecologia e Consciência



O que se entende por ecologia? Segundo o Dicionário Aurélio da língua portuguesa, há dois campos semânticos em que o termo “ecologia” ganha expressão e vulto. Primeiramente,ecologia é entendida como a parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ou ambiente em que vivem bem como as suas recíprocas influências. Em segundo, significa o ramo das ciências humanas que estuda a estrutura e o desenvolvimento das comunidades humanas em suas relações com o meio ambiente. Os estudiosos explicam que “o termo ecologia é formado das palavras gregas oikos (casa) e logos (conhecimento). Portanto, ecologia é a ciência da nossa ‘casa comum’: o meio ambiente, a natureza, a terra”. Esta explicação é do teólogo jesuíta José Roque Junges, retirada de seu livro, Ecologia e Criação.
O homem é indiscutivelmente um ser de relação. Ora, sendo relação o mesmo precisa ser tomado como realidade capaz de viver “uma conversão ecológica pela qual o ser humano deixe de se autocompreender como indivíduo separado, para se ver como parte de um conjunto de inter-relações naturais e sociais”, escreve o mesmo teólogo citado anteriormente. O ser humano não consiste numa realidade separada dos demais seres que compõe o ecossistema. Ou ainda, não devemos compreender a ecologia como um sistema a parte ou contraposto à vida humana. Ao contrário, a “conversão ecológica” ensina-nos que ser humano e ecologia caminham unidos, pois ambos fazem parte de um mesmo sistema planetário. A consciência do ser humano como ser social evidencia que toda ação traduzida em forma de comportamento, só é possível porque há o dado relacional em sua gênese humana.
O problema ecológico quando tomado pela ótica da responsabilidade pode ser analisado pela ótica antropológica e moral. Pois, sem criar uma cultura da consciência, talvez nada possa ser feito no que toca aos efeitos catastróficos da ação do ser humano na natureza. A constituição Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II (1962-1965) ensina sabiamente que Deus não criou o homem como realidade isolada, mas ao contrário: “o homem é, com efeito, por sua natureza intima um ser social” (n.12). Com essa característica peculiar de ser social, portanto, relacional, o ser humano é convidado a repensar como vem ocorrendo sua relação com a natureza. Nesta acepção, Deus não o criou só, mas ao seu lado como relata o livro doGênesis, criou também a natureza com suas particularidades. Analisado por esse prisma, a ação transformadora deve ocorrer por meio da consciência.
A consciência faz lembrar que existe em nossa estrutura psíquica uma lei. Essa, por sua vez, não deve ser tomada simplesmente como um imperativo calcado no dever, mas proporciona ao homem a capacidade de refletir e pensar sobre as consequências do seu agir, de suas intenções, de sua intencionalidade que decorrerá em forma de comportamento. Sabiamente a Gaudium et Spes recorda aos homens e mulheres de boa vontade: “na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei: faze isto, evita aquilo. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (n.16). Por isso, reflitamos sobre nosso comportamento relacionado aos desafios ecológicos da atualidade. A Igreja Católica por meio da Campanha da Fraternidade de 2011 convidou-nos a repensar sobre nossas ações relacionadas com as demais vidas no planeta.
Pe. Elismar Alves dos Santos, CSsR
Missionário Redentorista

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